Aumenta velocidade das águas do Rio Paraguai e fissuras já aparecem na BR-070; cresce o risco de isolamento


Aumenta velocidade das águas do Rio Paraguai e fissuras já aparecem na BR-070; cresce o risco de isolamento

A velocidade da correnteza da água, provocada pela cheia do rio Paraguai, aumenta a erosão nas barrancas e pode acelerar o possível rompimento da pavimentação asfáltica da rodovia federal BR 070/174, entre Cáceres e Porto Velho (RO). Proximo a ponte Marechal Rondon, a água está a dois metros do asfalto e algumas fissuras começam a aparecer nas laterais do pavimento. A rodovia é o único acesso terrestre dos estados amazônicos ao Sul do país. O rompimento seria uma catástrofe com prejuízos incalculáveis tanto para a economia regional quanto para a população de milhões de habitantes.

A situação é antiga. Um estudo realizado por pesquisadores de UNESP, UFMT e UNEMAT, em 2006 contatou que a erosão, em direção à rodovia, aumenta em média, de 3 a 5 anos, por ano. O Dnit tem conhecimento do risco. Porém, ameniza o caso. O  engenheiro Orlando Fanaia Machado, chefe do Serviço de Engenharia do Departamento, garante que não há risco de rompimento. Contudo, diz que, após as águas baixarem será realizado um envocamento – construção de barreiras feitas de pedras – de 850 a 900 metros na margem do rio para conter a erosão.

“Não há risco de rompimento (da rodovia). Mesmo assim, já temos solução. A Ecoplan Engenharia (empresa vencedora da licitação para elaboração do projeto de contenção das erosões) irá realizar um envocamento na margem do rio para conter o processo erosivo” afirmou explicando que “o trabalho prevê a utilização de balsas para evitar a continuidade da erosão”. Machado acrescentou dizendo que “já fizemos o pedido de licenciamento ambiental junto a Sema, que nos prometeu viabilizar, o mais rápido possível”. Disse que, ainda nesta semana, estará enviando um engenheiro à Cáceres para reavaliar a situação, após o aparecimento das fissuras no asfalto.

Embora o Dnit amenize o Ministério Público Federal, demonstra preocupação com o problema. No início do ano, o MPF propôs uma ação civil pública contra o Dnit e a Ecoplan Engenharia, cobrando a realização de ações emergenciais de contenção da erosão. De acordo com o MPF, em 2012 a empresa venceu a licitação para elaboração do projeto de contenção das erosões. Depois do projeto pronto, o Dnit precisaria contratar outra empresa para executar as obras o que, até hoje não aconteceu.

“O Dnit ficou inerte por quase oito anos sem providenciar qualquer proteção emergencial para a rodovia. O que aconteceu foi um aumento significativo dos efeitos da erosão sobre o ponto que dá sustentação à ponte Marechal Rondon. Em 2007 eram 60 metros, hoje são menos de 15 metros entre a margem do rio e a rodovia” diz o procurador da República Thales Fernando Lima, afirmando que “a rodovia interliga toda a região ao sudoeste e oeste de Mato Grosso e é um dos principais caminhos que ligação com Rondônia. A interdição pela erosão alcançaria prejuízos ainda não calculáveis tanto para a economia quanto para a população”.

De acordo com o relatório elaborado por pesquisadores do UNESP, UFMT e UNEMAT, em 2006, em alguns trechos, principalmente, nas imediações da praia do Julião, a água estava a 15 metros do aterro. Hoje está a dois metros. À época, quando a barranca estava a 60 metros da rodovia, os pesquisadores previram que a em 5 anos a erosão alcançaria o aterro e, consequentemente, o asfalto. A pesquisa foi realizada pelo doutor Aguinaldo Silva, da UNESP, a doutora Célia Alves de Souza; o mestre Alex Jorge da Silva e Davi Rezende de Freitas da Unemat e o engenheiro Adilson Domingos dos Reis, da UFMT.

De acordo com os pesquisadores, uma série de fatores contribui para o aumento gradativo da erosão marginal e, conseqüentemente o avanço do rio para a rodovia. Entre eles: a velocidade da correnteza e, principalmente, a ação humana, decorrente das ondas provocadas pelas embarcações que, automaticamente, aceleram o processo de solapamento ocasionando desta forma a queda dos blocos. Soma-se a isso, conforme os estudos, o fato do solo possuir maior quantidade de areia na base facilitando o desmoronamento ou deslizamento do barranco.

O estudo foi monitorado em três segmentos entre a ponte Marechal Rondon e o entroncamento da BR-070. No segmento I a margem côncava do rio apresentou uma forma íngreme retilínea com altura de 2,70m. Nesse local, da ponte ao 2º pontilhão da rodovia, atualmente, a água estava a 15 metros do asfalto. De acordo com a pesquisa, além da velocidade do fluxo e das ondas das embarcações, a erosão nesse ponto é contribuída também pela ação de pescadores ribeirinhos que retiram a vegetação para fazer trilhas próximas ao barranco.

No segmento II na mesma área, constataram que a vegetação nativa próxima havia sofrido alterações por parte de pessoas que fazem a limpeza do local, que são utilizadas para o trânsito diário. A mesma razão foi apontada nos estudos nos segmentos III e IV.

Pelos levantamentos nas áreas pesquisadas, chegou-se a conclusão de que a erosão marginal no rio Paraguai ocorre de forma intensa durante o período úmido como também durante a estiagem. Atribuem que o domínio da erosão na margem direita indica que o rio Paraguai provavelmente está sujeito ao efeito de movimento das placas tectônicas recente, que teria provocado um basculamento para oeste, fazendo com que os processos erosivos estejam mais atenuantes nessa margem.

Na avaliação dos pesquisadores, a área monitorada apresentou uma taxa de erosão alta com alguns pontos variando de 3 a 5 metros de recuo, em direção a rodovia. Em virtude de a área estar localizada próxima a BR-174, segundo eles, tornava-se fundamental o desenvolvimento de um planejamento visando à construção de pontes, tendo em vista que a margem direita do rio já se encontra a menos de 20 metros do aterro. Observaram-se que, levando-se em consideração a alta taxa erosiva e o local ser um ponto de extravasamento da água, o canal pode vir a mudar de curso e em virtude desse fator explodir todo o aterro e conseqüentemente a rodovia provocando prejuízos econômicos e sociais incalculáveis para toda a região.

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