Morre a ex-primeira dama do Estado, Isabel Campos, esposa do deputado Júlio Campos


Faleceu às 17h deste sábado, no Hospital Santa Rosa, a professora Isabel Pinto de Campos, esposa do deputado federal Júlio Campos, do Democratas. Isabel, sofria de câncer e vinha fazendo tratamento há sete anos. Ela tinha 67 anos. É apontada como eterna primeira-dama de Mato Grosso, devido a sua forte influência política. Por muitas vezesfoi cogitada para ocupar cargos eletivos. Termina a vida como uma das mais importantes e respeitadas figuras da política mato-grossense.

Nesta última semana seu quadro de saúde se agravou, com metástase. Internada ela se recusou a ficar na UTI do hospital. Júlio Campos, ao confirmar a gravidade da doença disse no início da semana que ela queria morrer em um quarto ao lado dos filhos e familiares.
Batalhadora, Isabel Campos, também conhecida na Várzea Grande com Dona Loló, se destacou pelo trabalho social e por sua firmeza ao ajudar na vida política de seu marido, que foi governador do Estado em entre 1983 e 1987 e nos negócios da família, tendo sido atuante como presidente do extinto jornal “O Estado de Mato Grosso”.
Há sete anos a ex-primeira dama Isabel Campos descobriu em umexame de rotina que estava com câncer no ovário e no útero. Não temeu a doença. Batalhou na recuperação. Mas, nestes últimos meses a doença avançou por outros órgãos de seu corpo. Mesmo assim, ela esteve atuante na eleição municipal deste ano e fez questão de ir votar em cadeira de rodas, mostrando o dever de uma eleitora.
Ao confirmar a morte da esposa, o deputado federal Júlio Campos (DEM), consternado disse que ainda não tinha uma definição sobre o local do velório e a partir de que horas vai começar. Ele disse apenas que iria conversar com os filhos e seus irmãos para decidir tudo isso.
Durante o tratamento, Isabel esteve internada em hospitais de Cuiabá e também no Albert Einstein, em São Paulo, onde submeteu-se a várias cirurgias e dezenas de sessões de quimioterapia radioterapia. Sua garra e vontade de viver permitiu que convivesse com a doença por sete anos. Segundo alguns médicos, o tipo de câncer a que ela foi acometida, estima o tempo de vida entre três a quatro anos.
Na semana passada seu estado se agravou e na quarta-feira (21), foi internada novamente no Hospital Santa Rosa, onde faleceu. No início da semana, os médicos que a assistiram, reuniram-se com o marido da professora, o deputado federal Júlio Campos, as três filhas e o filho, além de três irmãs dela, para comunicarem o agravamento do estado de saúde e a irreversibilidade do caso.
Isabel Campos nasceu em Cuiabá, no dia 9 de outubro de 1946. Aos 5 anos ficou órfã de sua mãe Escolástica Coelho Pinto. Com a morte da mãe, seu pai José Pinto, comerciante do bairro do Porto, internou-a juntamente com outras três das quatro irmãs, no Asilo e Orfanato Imaculada Conceição, em Poconé e posteriormente no Colégio Imaculada Conceição em Cáceres, onde fez os cursos primário e secundário.
Retornou a Cuiabá onde concluiu o curso Normal-Magistério, no Colégio Coração de Jesus. Formou-se em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras que viria ser um dos embriões da Universidade Federal de Mato Grosso, da qual foi uma das fundadoras, conselheira e se aposentou como professora. Paralelamente ao curso de Letras, montou em um galpão ao lado do ‘bolicho’ de seu pai, uma pequena escola que deu o nome de Santa Isabel. Pelos bancos dessa escola passaram figuras que vieram a se tornar proeminentes na vida mato-grossense.
Entre 80 e 81 fez mestrado na UnB. Defendeu tese de mestrado sobre Literatura Mato-grossense.
Em 1973, quando exercia o cargo de delegada de ensino de Mato Grosso, foi convidada pelo então prefeito de Várzea Grande, Júlio Campos, para assumir a Secretaria Municipal de Educação. Seu espírito de liderança e trabalho despertaram a atenção do jovem e solteiro prefeito. Casaram-se no final de dezembro de 1975. Da união nasceram quatro filhos Laura, Consuelo, Júlio Neto e Silvia.
Sempre afirmava que já tinha conseguido tudo que a vida podia dar como mãe e mulher. Que a família que possuía era um sonho; uma graça divina. Afinal, um marido como Julio campos não era para qualquer uma. Idolatrava os filhos, principalmente quando ligavam quando estavam morando fora. Parava o que estava fazendo para atendê-los e sempre orientava os funcionários “Não estou para ninguém, só para meus filhos”. A sua maior preocupação era que fossem educados e obedientes. Com orgulho afirmava que conseguiu isso. Sobre dona Amália, sua sogra, tinha uma definição simples e direta: uma segunda mãe para mim.
Durante mais de 30 anos participou ativamente das campanhas eleitorais do marido, começando pela de 1978, quando Júlio Campos foi eleito proporcionalmente o deputado federal mais votado da História de Mato Grosso. Em 1982 foi a principal coordenadora da campanha eleitoral que resultou na vitória de Júlio Campos ao Governo do Estado. Há quem aponte a professora Isabel Campos, pela sua participação intensiva naquela campanha, o diferencial que garantiu a vitoria sobre o padre Raimundo Pombo, candidato pelo PMDB.
Com a posse de Júlio Campos, Isabel Campos assumiu a presidência da Fundação de Promoção Social-ProSol, onde ficou de 1983 a 1986. Mesmo à frente da instituição, continuou por algum tempo dando aulas na Universidade Federal de Mato Grosso. Tendo como base a célebre frase do filósofo chinês Confúcio, de ‘ensinar a pescar e não dar o peixe’, deixou em segundo plano na ProSol, o mero assistencialismo paternalista e implantou arrojados programas de promoção e assistência social, saúde, geração e aumento de renda de famílias carentes, planejamento familiar e habitação. Mais do que trabalho, pedia aos seus funcionários que usassem de criatividade nos projetos, maximizando resultados e reduzindo custos.
Na sua gestão, através do Projeto João de Barro, foram construídas em vários municípios, centenas de casas populares. No ano de 1985, implantou o Loteamento Popular Osmar Cabral, que deu origem ao bairro com o mesmo nome, na região Sul de Cuiabá. Em praticamente todos os municípios mato-grossenses deixou a marca e sua filosofia de trabalho.
Ela participou ainda das campanhas de Júlio Campos à Assembleia Nacional Constituinte, em 86; ao Senado, em 90 e na derrota para Dante de Oliveira ao governo estadual, em 1998. Em 2008, já debilitada pela doença, ajudou como pôde na tentativa de Júlio Campos em voltar à Prefeitura de Várzea Grande. Pouco podendo participar de comícios, de passeatas, ou caminhadas, realizou em sua residência dezenas de reuniões com candidatos,a vereador, lideranças comunitárias e de classes. Sua última particpação eleitoral foi em 2010, apenas através de telefonemas e cartas, onde ajudou Julio Campos a voltar à Câmara dos Deputados pela terceira vez.
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